Todos os anos é igual.
Chega fevereiro, a luz muda, o corpo começa a pedir movimento e a cabeça diz que está na hora de voltar. Voltar a pedalar, voltar a correr, voltar a mexer. O problema é que muitas vezes a vontade regressa mais depressa do que o corpo — e é aí que começam histórias que podiam ter tido outro fim.
As lesões e o primeiro passo que quase ninguém ensina
Nós, enquanto treinadores, estamos muitas vezes confrontados com lesões que podiam, francamente, ter sido evitadas.
Há imagens que ficam connosco.
Uma delas nunca mais me saiu da cabeça.
Era um dia de verão. Eu descia tranquilamente no meu carro quando o vi. Um rapaz jovem, notoriamente obeso. Não um pouco acima do peso — uma obesidade muito marcada. A t-shirt completamente molhada de suor, uma fita no cabelo, headphones nos ouvidos. Corria. Corria a suportar, seguramente, uns 150 quilos.
A minha primeira reação foi quase instintiva:
“Mas ninguém disse a este rapaz que ele não devia estar a fazer isto?”
E atenção — não me interpretem mal.
Não é porque ele corria.
É porque querer correr não é o mesmo que estar preparado para correr.
Alguém que corre é diferente de alguém que quer começar a correr.
Nós defendemos, e continuaremos a defender, que o movimento é saúde. Que o corpo foi feito para se mexer. Mas há uma parte desta equação que quase nunca é dita em voz alta: é preciso saber como e quando o fazer.
Sair do sofá e exigir ao corpo cargas elevadas como se fôssemos atletas profissionais é, posso garantir, como profissional do desporto, um dos maiores erros que muitas pessoas cometem.
- O corpo precisa de adaptação.
- O corpo precisa de estímulo progressivo.
- O corpo precisa de aprender a fazer exercício.
Sem isso, a lesão deixa de ser um risco e passa a ser uma consequência.
E sejamos honestos: para quem pratica desporto, a lesão não é totalmente evitável. Quem pratica, mais cedo ou mais tarde, vai lesionar-se. Quanto mais arriscamos, mais nos expomos. Isso faz parte do jogo.
Mas uma grande parte das lesões — principalmente neste contexto de regresso à atividade física — podia ter sido evitada.
- Podia ter sido analisada.
- Podia ter sido antecipada.
- Podia ter sido prevenida.
É sobretudo desta pessoa que estou a falar. Da pessoa que passou um inverno inteiro praticamente parada. Que esteve mais tempo sentada, mais tempo fechada, mais tempo desligada do corpo. E que agora, com a luz a mudar e a primavera a aproximar-se, sente que precisa de fazer alguma coisa.
E sente bem.
O problema é que muitas vezes ignora que existem profissionais que podem ajudar nesse primeiro passo. Médicos. Treinadores. Profissionais de saúde e do exercício — como nós — que não trabalham apenas com atletas em busca de performance, mas também com pessoas que querem começar.
- Começar sem dor.
- Começar sem lesão.
- Começar sem medo.
Tal como aquele jovem que vi a correr com os seus seguramente 150 quilos, eu não sei o que lhe terá acontecido depois. Mas sei, com uma probabilidade assustadoramente alta, que se insistiu naquele caminho, acabou lesionado.
Não porque os joelhos não foram feitos para se mexer.
Mas porque os joelhos não foram feitos para, de um dia para o outro, suportar cargas para as quais nunca foram preparados.
Perder peso é importante.
Mas às vezes a melhor estratégia não é correr para perder peso.
É perder peso para depois poder correr.
As articulações foram feitas para se moverem. E a melhor saúde que podemos dar a uma articulação é usá-la como a natureza a desenhou: com progressão, com estímulo adequado, com respeito pelo tempo de adaptação.
O problema é que olhamos à nossa volta e vemos ginásios cheios de influencers. Corpos definidos. Abdominais perfeitos. Oito por cento de massa gorda. Uma estética que afasta mais do que aproxima.
E então surge o pudor.
A fuga.
O “isto não é para mim”.
O ginásio, curiosamente, foi criado para quem precisa dele — não para uma moda que hoje domina as redes sociais. Mas essa imagem afasta pessoas reais e empurra-as para o autodidatismo. Para treinos copiados. Para decisões tomadas sem contexto.
E esse autodidatismo termina, demasiadas vezes, no consultório médico. Com dor. Com frustração. Com lesão.
É exatamente para isso que nós estamos aqui.
Para devolver ao desporto o seu devido lugar, na saúde e no bem estar fisico e emocional.
Começa pelo princípio.
Antes da dor, antes da frustração, antes da lesão.
Pede ajuda, esclarece o caminho, aprende a começar.
Para dizer que não tens de começar sozinho.
Que não tens de sair do sofá diretamente para a dor.
Que não tens de aprender à custa do teu corpo.
Se queres começar a mexer-te, a pedalar, a correr, a treinar — fala connosco.
Nós ajudamos-te a dar o primeiro passo.
E, mais importante ainda, ajudamos-te a continuar.
👉 Marca uma consulta de orientação desportiva connosco. Começamos juntos para que nunca tenhas de parar.
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