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O ROI do Desporto: Poupar na Saúde, Investir no Movimento

Durante décadas, a gestão pública e o senso comum olharam para o orçamento destinado ao desporto como um “gasto” — uma verba secundária, muitas vezes sacrificada em prol de necessidades consideradas mais prementes. No entanto, a ciência económica e os indicadores de saúde pública modernos convidam-nos a uma inversão total de paradigma. É tempo de falar abertamente sobre o ROI (Return on Investment) do desporto: como cada euro investido em atividade física se traduz numa poupança maciça no sistema de saúde e num ganho de vitalidade para a economia.

Os Números Não Mentem

Não se trata de uma opinião do Projetopedal; os números falam por si. Relatórios da ISCA (International Sport and Culture Association), em parceria com o Centre for Economics and Business Research, demonstram que a inatividade física custa à Europa mais de 80 mil milhões de euros anualmente. Este valor astronómico refere-se apenas aos custos diretos de tratamento de cinco doenças principais: diabetes tipo 2, doenças coronárias, cancro colorretal, cancro da mama e depressão.

A nível global, a revista científica The Lancet estima que o sedentarismo custe à economia mundial cerca de 67,5 mil milhões de dólares por ano em gastos de saúde e perda de produtividade. Como afirma o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom, o exercício é uma “melhor compra” (best buy) para qualquer governo que saiba gerir o futuro.

A Realidade em Portugal: O Custo da Inércia

Em Portugal, onde o consumo de antidepressivos e medicamentos para doenças crónicas atinge níveis alarmantes, ignorar o ROI do desporto é ignorar a própria sustentabilidade do SNS. Somos um dos países da OCDE com maior consumo de ansiolíticos, enquanto as taxas de prática desportiva regular continuam abaixo da média europeia.

O investimento no desporto — seja através de infraestruturas, incentivos fiscais ou programas de treino acompanhado — é, na verdade, uma apólice de seguro contra a falência do sistema de saúde.

Comparativo Económico: Prevenção vs. Remediação

Para percebermos a escala do investimento, vejamos uma comparação simplificada entre o custo de gerir uma patologia crónica instalada versus o custo de um estilo de vida ativo:

Item de Custo Remediação (Doença Crónica – ex: Diabetes Tipo 2) Prevenção (Estilo de Vida Ativo – Ciclismo)
Medicação Insulina, antidiabéticos orais, estatinas (Vitalício) € 0
Consultas Especialidade, análises frequentes, urgências € 0 (Consultas de rotina padrão)
Equipamento Medidores de glicose, tiras teste, agulhas Bicicleta, capacete, calçado (Investimento duradouro)
Serviços Cuidados de enfermagem e tratamentos de complicações Plano de Treino / Gabinete de Fisiologia
Impacto Laboral Maior taxa de absentismo e perda de rendimento Aumento de produtividade e foco
ROI Estimado Negativo (Gasto constante sem retorno) 300% a 400% (Por cada 1€ investido, poupa-se 4€)

Conclusão: Uma Questão de Literacia Financeira

Olhar para o desporto como um custo é um erro de gestão pública e individual. A verdadeira literacia financeira exige que se reconheça o desporto como o investimento mais seguro de que dispomos. Gastar no desporto hoje é, literalmente, evitar gastar o triplo em cuidados paliativos amanhã.

Para que o futuro seja economicamente viável, o foco tem de mudar. Não se trata de “dar dinheiro ao desporto”, mas de investir estrategicamente no movimento para garantir que o país não seja apenas mais longevo, mas sim mais produtivo e saudável.


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