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Como é pedalar pela Estrada Nacional 2? — A Última Etapa até Faro

Às 8h00 em ponto iniciei o registo da última etapa. Pela frente tínhamos ainda mais Alentejo, mas também a entrada no Algarve e a promessa de um final épico. O plano era simples: rolar juntos, manter o grupo coeso e transformar os 138 quilómetros — com quase 1700 metros de subida acumulada — em algo mais leve do que soavam no papel. Difícil? Sim. Sobretudo depois de uma semana inteira a pedalar diariamente, com um ritmo exigente para quem não é profissional.

Cada um de nós tinha tirado férias, colocado a vida em pausa durante uns dias, para se lançar nesta aventura. E ali, naquela manhã, todos sabíamos que iríamos perceber se o objetivo tinha sido cumprido: chegar à mítica rotunda do marco dos 738 km.

A discussão do quilómetro 738

Ao longo da semana, recebemos algumas críticas às nossas crónicas: diziam que a EN2 não terminava na rotunda, mas sim uns metros mais à frente, na placa que assinala o km 738,5. É verdade. Mas desde o início dissemos que, para nós, o fim seria na rotunda. Não viemos aqui para fazer uma reconstituição histórica ao milímetro, nem para beijar cada metro de alcatrão. Viemos para viver a estrada na perspetiva do ciclismo, e em alguns momentos isso implicou evitar troços menos interessantes para escolher caminhos melhores.

No fundo, é isso que a EN2 nos ensina: a estrada está lá, sempre. Mas cada um deve criar a sua própria aventura e construir as suas memórias. Esta foi a nossa.

Serra do Caldeirão: a fronteira

A entrada no Algarve fez-se pela Serra do Caldeirão. Já sabíamos que seria aqui o último grande desafio físico. As pernas, cansadas, quase pediam tréguas, mas a cabeça empurrava a bicicleta para a frente. A subida foi recebida com uns pingos grossos de chuva, que se evaporaram rapidamente, deixando apenas um clima perfeito para pedalar. Mais uma vez, a meteorologia foi nossa aliada.

A estrada estava incrível: o trânsito praticamente inexistente, o silêncio, o cheiro da terra húmida. Tudo conspirava para transformar aquele momento em algo inesquecível.

Cortelha: histórias e amizades

Por sugestão do Rúben, amigo de Faro, parámos na Cortelha. Foi o ponto de reencontro do grupo, um momento para descansar, comer e — como sempre acontece no ciclismo — trocar histórias. Se há coisa que levamos da EN2, para além dos quilómetros, são as amizades e as narrativas que colecionámos ao longo do caminho.

O sprint final até Faro

Da Cortelha até Faro seguimos em modo pelotão, com guia privado, estrada boa, divertida e praticamente só para nós. A chegada à rotunda do marco 738 foi rápida, intensa e carregada de emoção.

Foram 738 quilómetros em cima da bicicleta, ao longo de uma semana. A estrada estará sempre lá para quem a quiser repetir, mas a primeira vez tem um sabor único, impossível de recriar.

Valeu cada quilómetro. Valeu cada companheiro de viagem.

Esta foi a nossa travessia. Pode ter sido o fim para nós, mas pode ser o início da tua.


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